MEDITAÇÕES PARA O NATAL 1

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Meditando o Natal






Meditando o Natal




PARA OS QUE FICAM TRISTES NO NATAL


DECORAÇÃO DE NATAL, PRESENTES E FIDELIDADE A CRISTO


UM MENINO NA MANJEDOURA


UM PRESÉPIO EM NOSSOS CORAÇÕES


FRASES DE DOM HÉLDER CÂMARA PARA OS NOSSOS DIAS


MAIS MEDITAÇÕES











Meditações para um Natal Cristão:



PARA OS QUE FICAM TRISTES NO NATAL



A mais triste história de Natal de que me lembro foi contada pela heroína do filme "Gremlins": indagada dos motivos pelos quais detestava o Natal, disse que seu pai viajava muito, mas sempre retornava para o Natal, porém as horas iam passando e nada...O próprio Natal passou, mais alguns dias ainda passaram, e nada, o homem desaparecera...Então começaram a sentir um cheiro ruim vindo da lareira, pensaram em um gato morto e quando os limpadores de chaminé foram chamados e desobstruíram, deram com o corpo do pai da moça...Ele mesmo, que morrera entalado tentando se passar por Papai Noel...
Essa é mesmo uma história muito triste. Outras pessoas têm também suas histórias tristes de Natal e nessa festa sentem doer mais a saudade daqueles que se foram pra sempre deste plano.Pois o Natal era justamente o momento em que necessariamente se reuniam e celebravam, além de presenciar a alegria dos que ainda têm seus amados vivos ou para quem o tempo já aplacou suas dores.
Aí, o que fazem essas pessoas? Desistem do Natal. Seguram suas tristezas, suas revoltas, suas mágoas, às vezes, do Deus que as levou sempre tão cedo; e desistem do Natal, desistem de serem felizes em mais uma festa, como se ao festejarem estivessem traindo seus entes queridos, como sinal de protesto a Deus, ou sabe-se lá o que mais!
Mas se essa é justamente a festa do nascimento de Cristo, aquele que nos abriu as portas da vida eterna, aquele que nos garantiu a participação no Reino do Pai,aquele que uniu misticamente o plano físico e espiritual! Essa atitude triste é antes de mais nada uma prova de falta de fé, de que não estamos lembrando de quem é o aniversário do dia 25 de dezembro.
A essa festa estamos todos convidados e não devemos fazer como os convidados do rei para as bodas que ignoraram o convite, fazendo com que o soberano escolhesse outros convidados para a alegria! Vivos e mortos, no Natal, estamos unidos ao redor da transcendente mesa em adoração ao aniversariante que se faz menino novamente para nos lembrar da renovação da vida.
É dia de festa em dois planos: é o dia em que esses dois planos se unem misticamente no eterno tempo, no corpo e sangue de Cristo.
É, por tudo e portanto, o dia menos adequado para tristeza, porque estará significando para o coração de Deus que nos esquecemos de que Jesus está fazendo um elo entre duas saudades que um dia se reencontrarão no Reino de Deus em um grande, um infinito abraço de Natal!
Por isso, dia 25 de dezembro festejemos a almas plenas! Abracemos todos os nossos, estejam eles no plano em que estiverem neste Natal! E QUE TENHAMOS A CORAGEM DE DAR UM ENORME SORRISO COM NOSSOS CORAÇÕES, POIS, DESDE SEMPRE, ESTAMOS TODOS VIVOS NA ETERNA CEIA DO PAI!
Marco Antonio Antunes







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Meditações para um Natal Cristão:



DECORAÇÃO DE NATAL, PRESENTES E FIDELIDADE A CRISTO


Texto de Marco Antunes

"Amanhã, mesmo que uns não queiram, será de outros que esperam ver o dia raiar!" (Guilherme Arantes)

Nunca tive dúvidas de que, se jesus voltasse à Terra, muitos dos que nos dizemos cristãos não o reconheceríamos e, muito provavelmente, não gostaríamos da pessoa de Jesus e nem de seu comportamento.Ele, do mesmo modo que não atendeu às expectativas dos homens de sua época,frustraria fragorosamente muitas das nossas.Essa, talvez, fosse , aliás, a razão de um certo espanto seu com o número enorme de gente que o seguia, (como bem lembrou em Homilia recente Padre Édison da Igreja de São Camilo, Brasília) provavelmente, devia pensar, essa gente toda não está entendendo para onde os estou guiando!
Em especial, frustraria nossa vaidade, nosso cuidar que temos a interpretação correta e única de sua doutrina.Como se pudesse realmente haver uma tal interpretação correta, exegege absoluta, da doutrina do Galileu! E, se alguma pudesse haver, consistiria na certeza de que tudo aquilo que é feito de coração puro, com honestidade de propósitos e confiança em que não se está prejudicando a outrem, terá, no mínimo, o compreensivo perdão de Deus, quando não tiver sua irrestrita bênção.Deus trabalha assim: deixando fazer, e não limitando e escravizando mentes e corpos, como querem alguns.
Lendo sobre o Natal na Internet, percebi que a idéia válida e perfeita de que o sentido da festa precisa ser mais cristão, precisa representar mais uma busca da Paz e da fraternidade; regrediu , em alguns espíritos mais mesquinhos, para uma arrogante condenação dos costumes natalinos de decorar a casa e presentear aos amigos e parentes queridos. Falam de idolatria, de concessão ao demônio, festa da gula e outras monstruosidades, que são apenas frutos do preconceito da soberba e do pecado de julgar o irmão. Porque o mal é a ausência de Deus e está sempre nos olhos de quem o vê...Essa gente que enxerga o mundo sem Deus nos olhos há de ver mesmo o mal em toda parte.
O inocente Papai Noel, por exemplo, é visto sob um prisma no mínimo canalha, comparado a um demônio, esquecendo-se de que ele é a representação moderna de um dos maiores santos da Igreja: São Nicolau! Se pensam que o Natal se comercializou, por que não pensam então em resgatá-lo para Deus? Por que não trabalham para espiritualizá-lo? Isso não! Pensam logo em destruí-lo, em negá-lo, jogando fora a criança com a água do banho!Parecem ignorar que um cristão vê pela lente do amor e por ela julga e age!
A primeira idéia, a de um Natal onde não falte o espírito, é exata, verdadeira a qualquer prova, pois, para o cristão, Deus está presente em tudo, em todas as ocasiões, em cada ato, cada evento, cada comemoração e pesar. Em especial no Natal, festa em que se comemora Emanuel, Deus conosco.
Enquanto a outra idéia, condenar o Natal, é errada a toda prova, porque viciada de vaidade e exibicionismo da fé, do mesmo tipo daquele que Jesus condenou quando criticou os que rezam em altos brados para serem notados. Gente que se esmera em restringir, em dispor pesados fardos às costas do irmão, em criticar antes de praticar a misericórdia.Gente que se apresenta à sociedade travestido de cristão, com roupas moralíssimas, atitudes esteriotipadas e penitência ostensiva, mas que trazem os corações prostituídos e podres.
A diferença entre ser cristão e parecer cristão é que o verdadeiro cristão se destaca por sua caridade, coração amplo e amor fraternal que a todos abriga, que a todos inclui!Jamais segregando por qualquer motivo que seja, porque o Mestre, cujo nascimento se comemora no Natal, nunca o fez! O verdadeiro cristão se revela na prática do amor. O cristão de aparência se revela nas roupas, nos gestos e na forma excêntrica de chamar a atenção sobre si criando sempre a impressão de que todos estão errados e apenas ele, o eleito,o que tem informações privilegiadas sobre a implantação do Reino de Deus, só ele,enfim, avisado por alguma falange angélica, conhece os verdadeiros desígnios de Deus. Embuste e blasfêmia!
Blasfêmia, sim! Pode haver maior blasfêmia que amesquinhar Deus, que reduzir o Criador a um moralista tacanho que julga livros pela capa e homens pela roupa? Blasfêmia filha da vaidade! Sempre a vaidade!Vejam como sou pio, fiel, não me deixo enganar pelas aparências! Sigam meu exemplo!
E lançam anátemas sobre quem não comunga em sua ceia de fel, ódio e desprezo pelo semelhante. É o caso de perguntar com Paulo:”Quem és tu que julga o servo alheio?”
Condenam a alegria como se Deus nos quisesse carrancudos e sofredores pela vida. Ele que é todo Luz, sem treva nenhuma!Como se Jesus não tivesse sido um homem de seu tempo que participava alegremente de todas as festas de seu povo, não o Natal, que, por óbvio, não se comemorava ainda, mas de todas as outras! E não como um excêntrico de atitude soberba em cuja fronte se lesse “Venho do Céu”, mas como um alegre conviva!
Essa gente vê o mal em tudo, porque seus olhos são maus, porque a janela de sua alma não deixa ver caridade, fraternidade e amor em seu interior, mas desprezo, vaidade e preconceito
Alegremo-nos sim! Comemoremos o Natal sim! Decoremos casa e alma! Presenteemos nossos amigos! Geremos alegria que clareia o mundo e à qual todo homem compreende. Alegria da qual se precisa para viver em mundo tão cheio de mal verdadeiro que chega a ser sórdido buscá-lo onde não ele está!
Convidemos Deus, o Espírito Santo e Jesus para nossa Festa! Amemos à revelia dessas criaturas tristes que acham que Deus é um cartório destinado a reconhecer firma de seus preconceitos e má vontade para com a vida e o semelhantes!
Se fosse possível a Deus não ser misericordioso, seria um justo castigo que todos fossem medidos pelo metro que usam! Porém é Natal, tempo de inclusão e fraternidade! Não os tiremos da festa, mas ao contrário, rezemos para que sua vaidade cesse de os cegar! Que venham sim para a festa, isso claro se puderem abrir seus espíritos e deixarem um menino nascer dentro de si ao menos no Natal!

Marco Antonio Antunes







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Meditações para um Natal Cristão:



UM MENINO NA MANJEDOURA

TRECHO



É bênção o que compartilhamos, nesta noite, com outras tantas e tantas pessoas, nas igrejas e fora delas, na fé e longe dela. É que os privilégios de Deus são mesmo para todas suas criaturas, sem reservas. A fé não tem reserva de mercado.
Daí porque é gracioso e bom experimentar o jeito tão especial que nosso Deus se achega a nós. Deus há muitos. Mas, nosso Deus trilha caminhos inusitados e ousados, em meio a este mundo de tantos caminhos, também religiosos. Não precisamos atacá-los. Desculpem, meus bons cristãos, mas acho que isso seria perda de tempo. O que é bom e gostoso, é comemorar Deus do jeito que as Escrituras dele contam e cantam. Ao centrarmos nelas nosso foco, seus encantos preenchem nossa vista; enchem a tela.
Estamos a festejar em nossa liturgia[1] estes caminhos especiais de Deus. Enquanto escutávamos palavras da Bíblia Sagrada, ecoavam em nossos notícias especiais de nosso Deus.
Lá, nos distantes tempos do oitavo século, antes da era comum, um rei, de nome Acaz, desejava fazer guerras em nome de Deus, com ajuda daquele Deus de quem falam as Escrituras. Aliás, antes dele, muitos reis já haviam feito guerras muitas e horrendas pensando estarem acolhidos em Deus. Acaz quis imitá-los, aqueles seus soberbos soberanos ancestrais-generais.
Mas veio-lhe a surpresa pelas palavras de Isaías, o profeta: ‘tuas guerras só servem para cansar homens guerreiros’ (7,13)! Por isso, o profeta lhe apresentou o sinal de Emanuel, uma criancinha, de nome “Deus Conosco”: Deus está com gente de jeito profético não à moda guerreira. Este Deus-criança desiste da guerra, das enfadonhas armas que só fedem a enxofre. Este menino Emanuel estará no trono de Davi. Um menino no poder! Que graça! Que encanto! Fora, armas e generais!
Poder à criança! ‘Um filho se nos deu’ (9,6)!

1O povo que andava em trevas viu grande luz,
e aos que viviam na região da sombra da morte resplandeceu-lhes a luz:

6porque um menino vos nasceu, um filho se vos deu. O governo está sobre os seus ombros e o seu nome será: Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz. (Isaías 9,2+6)

O poder dos céus é mesmo de indefesos, não de adultos, menos ainda de prepotências. As forças de nosso Deus são as de quem não as têm. Estranho – mas maravilhoso – é, pois, o caminho de nosso Deus, pelas palavras da Bíblia. Nele celebramos que frutos vêm de rebentos:

1Do tronco de Jessé sairá um rebento
e um renovo de suas raízes tratará frutos.

4 Defenderá com justiça os fracos
e defenderá com integridade os oprimidos da terra.
(Isaías 11,1+4a)

Daí porque o natal é tão gracioso de comemorar. Afinal, nele festejamos o avesso: frutos de renovos! Que milagre! No geral, frutos estão em árvores. Nos caminhos de Deus, os frutos são de raiz!

Tempos depois, quando o povo de Deus, uma vez mais, experimentava pesadíssimas opressões, havia em seu meio aqueles que desejavam pegar em armas. Queriam ir à desforra contra os senhores do mundo de então. Os domínios eram de persas e gregos. Funcionavam qual gafanhotos devoradores. Estava-se aí pelo quinto ou quarto século.

Nestes dias se levanta Zacarias, com suas comunidades de sonhadores e visionários. Tentam clarear a vista. Olham bem para o que se passava. E sentem por onde estão os caminhos de Deus. E se lhes desvendou a palavra que clareia a vista e a vida:

9Eis aí te vem o teu rei: justo e libertador, nobre montado em jumento, num jumentinho, cria de jumenta. 10Destruirei os carros de Efraim e os cavalos de Jerusalém, e o cavalo de guerra será destruído. Ele anunciará paz às nações! (Zacarias 9,9-10)

(..........)
Até que neste final caberia um apelo, uma solene convocação à paz e à justiça.

Nada contra quem assim procede. Mas, sabemos todos, quão ineficazes são tais máximas morais. Valem sua ineficiência.

Por isso, antes caiamos maravilhados. De joelhos sejamos pedintes. Imploro para que Deus nos abençoe neste seu caminho da manjedoura, do Emanuel. Diante dos espelhos dos caminhos de Deus, caímos por terra como mendigos. Pedimos humildemente para que ele nos dê a graça de podermos caminhar em seus trilhos.

Sim, à manjedoura vamos maravilhados, encantados, boquiabertos. De modo inusitado Deus se faz presente em meio a nós. Graças a Deus! As viradas começam pela contemplação, no caso pela contemplação do menino na manjedoura da estrebaria. Viradas estão a caminho quando contemplamos ‘manjedouras’. Muito apelo não tem a forca de comoção que tem o encontro com casebres.

Isso não significa que não faça sentido querer adequar, na prática da vida, nossas trilhas aos estranhos caminhos de Deus. Isso só significa que estamos liberados de moralizar, de querer ter sucesso a qualquer custo, de exigir coisas impossíveis de nossas frágeis mãos. Não precisamos acertar. Basta tentar caminhar de novo. Busquemos. Ensaiemos. Afinal, um novo ano se descortina. As coisas antigas já passaram. Corramos para as novas. E, se não der para correr, vamos a passo lento, pé ante pé, do jeitinho que der.

Na manjedoura começa o novo, inicia um novo ano.

As bênçãos sempre vêm de Deus, para crentes e, por igual, para descentes. Para nós crentes, suas bênçãos vêm – como que estranhamente – de manjedouras pobres e fedidas, de pastores, trabalhadores à noite, sem hora extra paga.

É por aí que nos vem o terceiro milênio.

Fogos de artifício são lindos em lindas televisões. Gosto de vê-los. Mas o que é mesmo novo vem, milênio trás milênio, pela pobreza da manjedoura, deste alojamento para quem está sem alojamento.

Para poder olhar para alto, é melhor ir a um lugar bem escuro. Daí se vê melhor os céus e suas brilhantes estrelas. A estrela de natal, aquela que se pôs sobre Belém, era mais visível para quem ia pelos fundões das manjedouras de gente sem nada.

Milton Schwantes
mschwantes@bol.com.br
25 de dezembro de 2000
IGREJA METODISTA
SITE:

http://www.metodista.br/biblica/ensaios/ensaios_m_schwantes_alinodescaso.htm






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Meditações para um Natal Cristão:



Um presépio em nossos corações

- Antônio Miguel Kater Filho



No Natal, todos os anos, a cena se repete: luzes coloridas piscando freneticamente nas fachadas e vitrines, clones do velhinho de barbas brancas multiplicando-se magicamente nas esquinas, os meios de comunicação repetindo insistentemente músicas natalinas entremeadas de comerciais, pinheiros enfeitados decorando sugestivamente as casas, e as pessoas, alvo e objeto, de toda esta movimentação, apressadas, insensíveis e preocupadas, lentamente se envolvendo neste inevitável clima de consumismo da festa.
O atropelo é tanto que muitas vezes não paramos para pensar: Afinal o que é que estamos comemorando no Natal?
Naturalmente, sabemos que esta festa universal é a comemoração de mais um aniversário do Deus Conosco que, há dois mil anos, se encarnou para nos salvar. Mas, é sempre bom recordarmos algumas circunstâncias que cercaram este fato, tão relevante para a humanidade.
Deus para vir ao mundo, na pessoa de Jesus, abriu mão das pompas, despojando-se de tudo o que teria direito por sua realeza, para nascer numa manjedoura, um lugar simples, pobre, humilde e talvez por isso tão acolhedor.
Gostaria, de refletir com vocês sobre esse tradicional e significativo símbolo do Natal: o presépio.
Sabemos que, quem iniciou esta tradição no cristianismo foi São Francisco de Assis. Ele que, a exemplo de Jesus, também abrira mão do poder, das pompas e da nobreza que tinha direito, para viver na mais absoluta pobreza, despojando-se de tudo a favor dos mais necessitados, naturalmente era uma pessoa capaz de entender a mística do presépio, mais do que qualquer um de nós.
Observando atentamente o presépio vemos que ele nos remete à simplicidade das coisas, ao desapego e ao despojamento de tudo. O presépio, quando é por nós encarnado, nos afasta e nos liberta do egoísmo.
Você já parou para pensar que talvez Jesus fora nascer numa manjedoura para que os outros viajantes que lá se encontravam (como os seus pais Maria e José) para serem recenseados por força da lei do Imperador, pudessem ocupar os espaços mais dignos e mais adequados, disponíveis em Belém? Lc 2, 1-5.
Antes de vermos no fato um gesto mau da humanidade não acolhendo Jesus e sua Santa Família, deveríamos procurar olhar por um outro lado, percebendo aí uma lição de Jesus, ainda no ventre materno, cedendo os melhores lugares para o próximo, em detrimento de seu próprio conforto e direito, como, posteriormente, ele outras vezes nos ensinaria por gestos, parábolas e palavras.
O presépio nos sugere ainda, uma despreocupação com preparativos, pompas, detalhes e formalidades. Maria ao dar a luz ao seu primogênito, deitou-o na forragem existente no local, envolvido apenas por alguns pedaços de pano.
Era o mínimo necessário para aquele momento pois, muito mais importante do que rendas, bordados, linhos, sedas e babados, para aquele recém nascido, era o amor demonstrado por seus pais que, felizes e orgulhosos, permaneciam ao seu lado, dando-lhe todo o seu carinho, atenção, tempo e afeto.
Muitas vezes no Natal os pais entopem os filhos de ricos presentes, na vã tentativa de preencher-lhes as carências geradas pela sua sentida ausência no lar. Buscam, em vão, demonstrar-lhes o seu amor de uma forma exclusivamente material.
Sabemos, por experiência adquirida ao longo dos anos na pregação de retiros para jovens, que na realidade, o que a maioria destes filhos gostaria de receber naquela noite era o amor verdadeiro dos pais unidos, suportando-se um ao outro (muitos deles já separados e tentando formar distante deles outras famílias que, certamente, também fracassarão).
Amor, demonstrado concretamente nos gestos de perdão e, quem sabe até, na reconciliação do casal que, no fundo, não consegue amar os filhos gerados, por que não aprendeu a amar nem mesmo o conjugue que consigo os gerou e os trouxe ao mundo...
Paciência, solidariedade, compreensão, capacidade de suportar os defeitos e as falhas do outro, diálogo, esperança e resignação, são os valiosos e imprescindíveis presentes que esses filhos gostariam de receber de seus pais no Natal, e durante o ano inteiro.
Presentes de agrado e alcance coletivos, pois não somente atendem aos desejos, caprichos e necessidades de um, mas também aos de toda a família, pois o presépio nos inspira ainda a busca da unidade.
Basta contemplarmos novamente a cena para percebermos nas figuras de: Maria, José e do menino Jesus, a unidade que exala de lá como um apelo as famílias de hoje, tão separadas pela televisão, tão divididas pelo egoísmo e tão dispersadas pelo individualismo, fatores que destroem essa união, tão necessária e tão vital.
Uma outra ação sugerida pelo presépio é a oração em família. Parem, por alguns momentos, e contemplem serenamente a cena que todos os anos montamos na manjedoura. Maria com as mãos postas em prece contínua, José inclinado, respeitosamente adorando o Filho de Deus e Jesus de braços abertos, acolhendo as preces da humanidade. Automaticamente nos pomos também em oração pois é isso o que o presépio nos inspira.
Antes de corrermos para baixo e para cima atrás de presentes, lembranças, comidas e bebidas, devemos nos voltar para Jesus e, em oração, buscarmos o maior e mais valioso de todos os presentes: a paz com Deus, a paz interior conosco mesmo e a paz com o próximo, oriundas da nossa reconciliação com todos sem exceção.
Devemos sim, antes de ingerirmos as ricas e exóticas iguarias natalinas, procurar nos alimentarmos de sua Palavra, contida nos Evangelhos, do sacramento da Reconciliação, que nos liberta do pecado, e do pão da Eucaristia, delícia superior à todos os manjares que possamos preparar ou comprar.
Assim como a família de Nazaré reza constantemente no presépio por nós armado na comemoração do Natal, nossas famílias deveriam fazer desse tempo natalino um tempo forte de oração, em verdadeira preparação para o nascimento de Jesus.
Sim, por que Jesus quer constantemente renascer nos corações humanos. Foi por isso que Ele veio ao mundo e esta é a principal razão da nossa festiva comemoração.
A encarnação de Jesus só tem sentido se nós também O encarnarmos, pelo poder de seu Espírito Santo que nos impele a sempre fazermos o bem, a perdoarmos uns aos outros, a estarmos atentos às necessidades do próximo e a nos desapegarmos das coisas materiais, motivo e causa de tanta divisão e ódio entre nós.
O tempo de Natal nos sugere o nascimento de Jesus no coração de toda a humanidade, que torna-se, a cada dia que passa, mais desumana por causa de seus inúmeros pecados, que a afastam de Deus.
O tempo do Natal é o tempo propício para isso. Deixe Jesus nascer em seu coração, mas, para tanto, limpe cuidadosamente o local e prepare lá a sua manjedoura: simples, despojada, humilde e acolhedora.
Este ano monte o presépio também em seu coração, sem luxo e sem pompas, para que aí Ele possa nascer e reinar definitivamente.
Assim, mais do que desejar um Feliz Natal aos amigos e familiares acompanhado de presentes que o tempo corroi e a traça destroi, seja um Feliz Natal para todos, presenteando-os com o seu amor, perdão, paciência e reconciliação, presentes eternos e indestrutíveis.
Aí, verdadeiramente, haverá sentido para o nascimento de Jesus e para a nossa comemoração. Feliz Natal.

Antonio Miguel Kater Filho
Instituto Brasileiro de Marketing Católico









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FRASES DE DOM HELDER CÂMARA

- Antônio Miguel Kater Filho



"Acho um encanto, Senhor, que criaturas tuas, saídas diretamente de tuas mãos, - pássaros e o vento - carregam de planta a planta, de árvore a árvore sementes de amor."

"O amor é o perfume das almas."

"Diante do colar belo como um sonho admirei, sobretudo, o fio que unia as pedras e se imolava anônimo para que todos fossem um."

"O sopro do amor fará aumentar o talento."

"Esperança é crer na aventura do amor, jogar nos homens, pular na escuro confiando em Deus."

"A lei consiste em amar a Deus e amar o próximo. Ora, quem ama o próximo já cumpriu metade da lei".

"As pessoas te pesam? Não as carregue nos ombros. Leva-as no coração."

"É difícil dar. É necessário conquistar através do amor o direito de dar."

"A fome dos outros condena a civilização dos que não têm fome."

"Se eu dou comida aos pobres, eles me chamam de santo. Se eu pergunto porque os pobres não têm comida, eles me chamam de comunista."

"É jovem quem tem uma razão para viver."

"Feliz de quem entende que é preciso mudar muito para ser sempre o mesmo."

"Não te contentes em aceitar: recebe. E só sabe receber quem primeiro se dá."

"Melhor do que o pão é a sua partilha, sua divisão!"

"Faze com alma o que na vida foste dado fazer. Mas não te esqueças nunca de integrar-te nos grandes planos de Deus."

"Na pobreza, existe apenas o indispensável, mas existe. Na miséria, nem o indispensável existe. Pobreza ainda se tolera, miséria, não."

"O grande embate dos nossos é a Miséria. E não se diga que ela é invencível."

"Por que não aproveitar a chegada de um Novo Milênio para levantar nosso Mundo contra a Miséria?"

"Quem dá aos pobres empresta a Deus. E como Deus paga mil por um! Milhões por um!"

"A única guerra legítima é aquela que se declara contra o subdesenvolvimento e a miséria."

"O Ano 2.000 sem Miséria é, antes de tudo, um estímulo ao otimismo, uma crença no que o homem, quando quer, é capaz de fazer, e Deus ajuda!"

"O anti-amor é o egoísmo, é o fechamento em si que torna impossível qualquer encontro com quem quer que seja. Quem pensa e proclama que ama demais, ama de menos."

"Para além, muito além dos egoísmos individuais, dos egoísmos de classe, dos egoísmos nacionais, é preciso abraçar, sorrir, trabalhar"

"Não creio na violência, não creio no ódio, não creio em tempo de mudar a mentalidade."

"Ah! Se a sede de ultrapassagem - comum a todos os volantes - levasse volantes e passageiros a aprenderem a ultrapassar-se."

"Quem me dera ser leal, discreto e silencioso como a minha sombra."

"Basta que um botão erre de casa para que o desencontro seja total."

"Um dos meus anseios de chegar ao infinito é a esperança de que, ao menos de lá, as paralelas se ncontrem!"

"Os homens gastam-se tanto em palavras que não podem entender o silêncio de Deus. Não te deixes dilacerar entre o ontem e o amanhã. Vive sempre e apenas o hoje de Deus."

O Arcebispo Emérito de Olinda e Recife, Dom Hélder Pessoa Câmara, morreu, em sua casa, nos fundos da Igreja das Fronteiras, na Boa Vista, Recife (PE), às 22h20min, do dia 27 de agosto. Ele foi vítima de insuficiência respiratória aguda, decorrente de pneumonia. O sepultamento ocorreu à noite, depois das 18h, na catedral de Olinda.

(Boletim da CNBB - Encarte "Conjuntura Social e Documentação Eclesial" nº 487)